Um mergulho em busca de ar

Por: Átila Motenegro 

As experiências que me acometeram nos últimos meses trouxeram-me um movimento interior demasiado sagaz, e ainda pelejo para encontrar um novo ritmo de palavras que seja capaz de representar, com o mínimo de fidelidade e de dignidade, o que sinto. Mas também me perturba permanecer em silêncio quando há tanto a comunicar, e em meio a essa briga inacreditável com as palavras, entre a peleja e o tédio, permaneço, inspirando e expirando, a um passo de cada vez, resistindo ao cansaço que me incita a preencher minha presença com desejos nocivos do ego. Hoje estou rígido, e já alguns dias assim me conservo, sendo arrastado pelos hábitos. Minha face, que luta para se sustentar ante o ímpeto emocional, sorri com dificuldade, com medo de arruinar-se. Estar aqui, em meio a tanta dor, comunicando, torna-se, então, uma prática, ou talvez um mergulho em busca de ar. (...)
Assim, desconhecia meios para me libertar da rigidez e para provocar um movimento interior constante. A vida havia me ensinado, com suas imprevisibilidades, que eu não podia controlar nada, mas ainda ansiava por segurança e por um chão no qual pudesse caminhar. Não havia  ainda percebido que há muito já havia sido jogado na corrente da vida. (...)
Aprendi, portanto, a me movimentar no conforto e no desconforto, pois a vida sempre estará me jogando para qualquer desses lugares, e é o que sempre encontrarei nas moradas que vier a adentrar. Lidar com o desconforto já parece algo que aceitamos e que acreditamos que deva nos inquietar e nos movimentar, mas no conforto parecemos sempre querer parar e descansar. Acontece que o fluxo da vida não para.

Uma história pra te contar...


Era uma vez uma rapaz que tinha muitos sonhos. Era muito pobre e saiu de casa aos 13 anos para tentar ganhar alguns trocados nas ruas engraxando sapatos. Resolveu nunca mais voltar pra casa, a rua era seu novo lar. Conheceu alguns rapazes na mesma situação. Andavam por toda a cidade. Tomavam banho quando e onde podiam: num riacho ou em um posto de gasolina. Geralmente o rapaz não andava sozinho, havia sempre no mínimo um companheiro daquelas mesmas aflições. Não tinha o que comer, nem água para tomar banho, nem roupas sem algum firinho (ou rasgão). E as pessoas olhavam torto, tinham medo.

No ônibus coletivo tinha sempre aquele ar de medo e bem raramente alguém se dispunha a trocar uma ideia, dar um conselho. O que o rapaz queria era apenas um dinheirinho, para que suas necessidades mínimas fossem sanadas. E anda tentando, buscando algum trabalho digno que lhe possa revelar a oportunidade de nascer de novo.
OBS: História baseada em fatos reais, com foto tirada por mim.

Decepção


Sem grandes surpresas, sem sustos. Eu vaguei este caminho esperando que isso acontecesse. Só que eu esperava estar errada. Afinal, minha intuição pode falhar, mas quando eu penso, repenso, calculo e analiso os fatos... estava tudo aqui em minha frente! E aquela pitada de "eu num sei o que é, mas alguma coisa está errada aí". O sentidos exploram o meio, e nem se sabe bem de onde vem essa dúvida de que algo tá errado. Aí acaba que não se percebendo realmente o que está acontecendo, porque o que é das "entrelinhas" quase nunca se tem certeza. E cada passo mal dado, cada quase vacilo vem logo aquele passo pra trás... aquela incerteza que pro outro se resume em insegurança ou falta de confiança. E que de nada adianta ficar na retaguarda ou fingir que está tudo bem. A única saída é esperar, esperar... E nada que o tempo não demonstre e esclareça o que as pessoas e as situações são. Porque tudo sempre conspira ao nosso favor. E tudo passa, tudo muda de valor. A gente muda, cresce e aprende que da próxima vez a intuição será mais valorizada. E sem grilas, sem grandes expectativas, sem grandes anseios... E a vida vai seguindo esperando alguma reação de nós. E se vai lá fora, respira-se fundo, corre, cansa, dispara e se alcança o que tanto queria...

o fulano do tal Orgulho

Aquele não dar o braço a torcer, fingir não sentir, fazer pose de inatingível, sustentar uma imagem as vezes de insensível. Mas ele sufoca, atinge o outro, penetra a tua alma e dilacera o coração. É ser o que não se é. Ser superficial, mecânico. É se fingir de "vivo" pra não perder a pose, mas por dentro o cheiro podre das vísceras incomoda, chateia. E dá pra sentir de longe essa podridão que vai se enraizando, tomando conta, se fundindo às vias menos atingidas. E te consome, consome... 
E se você se lembra daqueles dias que eu não fui eu, me perdoe. O que eu sentia não queria que ninguém além de mim soubesse.
 Mas já chega! Não dá pra viver sempre na defesa. E a podridão? Coloca pra fora, libera esse nojo. Limpa tua alma e renasça. Seja autêntico, libere-se. Chega de reprimir-se! Menos receio e mais ação. Chega de esconder
esse "eu", chega...

E aquela pose, eu já nem me lembro mais...
Movimento!!

R$ Carinho, 00

Um afago, um abraço, um beijo, um olhar, um telefonema... mil e uma maneiras de se demonstrar o carinho. Esse não tem preço, nem medida. 
As pessoas amigas vão passar pela tua vida e cabe a nós deixar marcas boas dessa convivência grandiosa. E assim, cada gesto de carinho, ou o carinho em si será de grande peso para que essas marcas fiquem cravadas. E no meu caso, por mais "bruto" que pareça a demonstração de afeto e carinho é apenas um carinho disfarçado. (Confesso que sou extremamente orgulhosa) 
Ao chamar um amigo (a) de "coisa feia", "coisa horrorosa", "cururu", eticetera e tal, meus amigos, eu não faço por mal! 
Por que o meu carinho por eles é imensurável! Acho que ainda carrego o espírito brincalhão e irônico do ensino médio. E talvez não tenha curtido essa vibe o suficiente naquela época (e nem faz tanto tempo assim - 4 anos atrás). Mas o fato é que vou procurar me controlar mais, me policiar quanto a esse tipo de brincadeira. Afinal, não quero traumatizar ninguém. hehe
Fica aqui registrado o meu carinho para os meus lindos e especiais amigos (as)

E se o amor existe...

Eu quero colorir a minha estranha com flores a cada passo
E sentir o coração pulsar como que em uma corrida ao um simples atender de telefone
E se ele existir mesmo, de verdade, eu quero voar para bem longe e saber voltar
Quero ser um só, mas ser só eu em alguns momentos
Quero viver o recíproco, o divino, o carnal
E sempre, sempre mesmo, viver a compreensão
Não temer, não crer, não prender demais e nem soltar demais, abraçar, acariciar, bater, se descabelar e
principalmente se calar, adivinhar, sonhar, curtir, viajar, perturbar, apurrinhar....
Quer saber, ele existe mesmo oh...hahahaha


Amardura

Sei dos erros que cometi, dos momentos que eu não vivi, dos sonhos que sonhei e não os alcancei.

Nada de arrependimento! Tudo que eu fiz foi o melhor de mim naquele momento.
Prometo, não sofrer pelas mesmas questões. Minhas feridas já estão curadas. E hoje a carne é mais dura, mais forte. Por vezes eu uso arrmadura pelo mundo afora.
Sabe, a primeira vez que eu a utilizei foi meio disconfortável e as pessoas estranharam a minha escolha. Ah, cada um se dfende como pode. Mas com o tempo elas se acostumaram e eu também. E nós percebemos que era mais confortável ser assim, até então.
Depois me vi sozinha com meus pensamentos e distante da realidade hostil.
Então me desfiz de todo o meu aparato e hoje me sinto mais leve. Aquilo tudo me deixava exausta!
Hoje eu sou livre. Não vejo barreiras pela frente.
E sabe o que eu descobri?! Nada melhor que contato... afetivo, social, moral, amigável e desamigável.
Eu quero é crescer.
E vai ser assim até o fim.
Abraços